no alto do mundo dos olhos crescem as raízes aquáticas,
pés que perfuram pelo coração de árvore a alma da palavra.
do céu que cobre os galhos avassaladores do abraço,
a pena sobre a mão e o verbo,
no embaraço da escrita que brota como flores carmim.
as nuvens passando pelas águas da pele,
mergulhando na leveza dos olhos
como se folhas flutuassem sobre as ondas do deleite.
no alto dos olhos as estrelas são mirabolantes flores de luz,
ramos brilhando sobre as águas da mesa de jantar,
na casa sem tecto onde vivem as palavras de arco-íris,
letras correndo pelos braços,
sendo sangue e bomba explodindo no vazio
no acontecer do poema,
no crescer do poeta pelas pernas das palavras árvore.
no alto sente-se o baixo furor do fogo
crepitando pela língua que molha os lábios,
pelos dedos no descer da terra quente:
floresta da palavra imensa de mil cores,
palavra-pétala sobrevoando os céus como águia de asas de papel.
sente-se o baixo no olhar o alto:
horizontal amor vertical
que incandesce a palavra em metamorfose.
no alto do poema o ventre é o acontecer do mundo
onde o ponto e a palavra florescem nas ramificações dos dedos:
palavras em flor, palavras em chama,
palavras silvestres no planalto de luz
onde o poema se dá e acontece.
13 janeiro, 2011
12 janeiro, 2011
existe aquele poço imenso no centro do copo de vinho.
a boca sorve o vinho no borbulhar da alegria
e o poço consome a boca e o sujeito da boca.
copo que existe no epicentro da mão do mundo,
no corpo vulcânico da cabeça explodindo em flocos de paz.
existe aquela alfazema de sonhos brotando dos braços,
suas flores pequenas são beijos pela boca das mulheres:
virgens imaculadas da transpiração dos sexos convulsivos do prazer,
do poema sorrindo pelas gotas das uvas e do leite,
e os gritos das mulheres em êxtase no centro do copo,
os olhos vacilando no interior da palavra,
os lábios da voracidade dos lábios
e os seios no contentamento das coisas simples:
a laranja aberta em pequenos gomos no regaço da criança,
o barulho dos talheres no encontro do prato,
os dedos entrando furtivamente na roupa de algodão,
o susto, o gemido, o riso.
existe aquele gesto devorador do espaço,
onde os gigantes existem pela saliva das flores,
onde o abraço é o revolto mar subindo pelos céus,
onde o amor vive agora-agora...
no ínfimo momento onde tudo é:
amor. amor. amor.
bebido no trago inesperado do amor que és.
a boca sorve o vinho no borbulhar da alegria
e o poço consome a boca e o sujeito da boca.
copo que existe no epicentro da mão do mundo,
no corpo vulcânico da cabeça explodindo em flocos de paz.
existe aquela alfazema de sonhos brotando dos braços,
suas flores pequenas são beijos pela boca das mulheres:
virgens imaculadas da transpiração dos sexos convulsivos do prazer,
do poema sorrindo pelas gotas das uvas e do leite,
e os gritos das mulheres em êxtase no centro do copo,
os olhos vacilando no interior da palavra,
os lábios da voracidade dos lábios
e os seios no contentamento das coisas simples:
a laranja aberta em pequenos gomos no regaço da criança,
o barulho dos talheres no encontro do prato,
os dedos entrando furtivamente na roupa de algodão,
o susto, o gemido, o riso.
existe aquele gesto devorador do espaço,
onde os gigantes existem pela saliva das flores,
onde o abraço é o revolto mar subindo pelos céus,
onde o amor vive agora-agora...
no ínfimo momento onde tudo é:
amor. amor. amor.
bebido no trago inesperado do amor que és.
22 dezembro, 2010
passos, tangerinas voadoras, névoa.
corações, balas intrépidas, afecto das ondas marítimas.
os beijos escorrendo pelas paredes húmidas do suor,
escrevendo palavras de cor escarlate e violeta,
palavras desconhecidas ao som,
carne de dentro da alma.
as mãos gesticulando cordas imaginárias
e os anjos pairando no movimento dos sexos,
das línguas, da tensão dos músculos,
do silêncio que preenche o tempo de doce,
no alto da boca,
na parte interior da língua,
no toque incessante dos lábios maiores das mulheres dos rios,
de dentro das pedras da erosão,
envelhecendo.
mulheres flores de papel vincado,
mulheres cratera, mulheres crescendo pela luz lunar,
mulheres morrendo pelo amor,
com os seus seios sedentos e muitos rijos de poemas.
morrem as palavras no verosímil tempo que corre,
tempo percorridos pelos passos do coração,
de olhos fechados com a chuva caindo das nuvens mais internas,
eterna água secreta que corre secretamente.
roupa pelo chão apodrecendo, mãos mirrando pelo osso,
pregos desnudados pelos quadros caídos,
boca do coração remendada com linhas ténues de melancolia:
as árvores dançando como ninguém,
troncos imensos crescendo da garganta dos poetas
(seres élficos galopando em florestas de sorrisos).
e as palavras cristalizando do lado de dentro da língua dos dedos,
poeta enlouquecendo na combustão das palavras,
na alta maré dos verbos alienados:
as palavras morrendo sem ninguém,
seres esquecidos no silêncio oculto das coisas.
corações, balas intrépidas, afecto das ondas marítimas.
os beijos escorrendo pelas paredes húmidas do suor,
escrevendo palavras de cor escarlate e violeta,
palavras desconhecidas ao som,
carne de dentro da alma.
as mãos gesticulando cordas imaginárias
e os anjos pairando no movimento dos sexos,
das línguas, da tensão dos músculos,
do silêncio que preenche o tempo de doce,
no alto da boca,
na parte interior da língua,
no toque incessante dos lábios maiores das mulheres dos rios,
de dentro das pedras da erosão,
envelhecendo.
mulheres flores de papel vincado,
mulheres cratera, mulheres crescendo pela luz lunar,
mulheres morrendo pelo amor,
com os seus seios sedentos e muitos rijos de poemas.
morrem as palavras no verosímil tempo que corre,
tempo percorridos pelos passos do coração,
de olhos fechados com a chuva caindo das nuvens mais internas,
eterna água secreta que corre secretamente.
roupa pelo chão apodrecendo, mãos mirrando pelo osso,
pregos desnudados pelos quadros caídos,
boca do coração remendada com linhas ténues de melancolia:
as árvores dançando como ninguém,
troncos imensos crescendo da garganta dos poetas
(seres élficos galopando em florestas de sorrisos).
e as palavras cristalizando do lado de dentro da língua dos dedos,
poeta enlouquecendo na combustão das palavras,
na alta maré dos verbos alienados:
as palavras morrendo sem ninguém,
seres esquecidos no silêncio oculto das coisas.
02 novembro, 2010
abro a cabeça no centro do poço
ou encerro o poço no centro da cabeça.
caio nas profundezas da cabeça poço
caindo na doçura das pêras maduras...
pesadamente,
docemente caindo.
desço pelas paredes de pedra e de ferro,
galgando, correndo, esfolando os lábios.
bato, silenciosamente no fundo,
sobre as águas, no penetrar das águas,
rebentando por dentro às golfadas de poema.
os olhos abertos, as mãos abertas, o coração fechado...
e a escuridão na consumação da existência,
poço fundo isento de céu e de terra.
e os oceanos explodindo no alto mundo,
e a luz nos crepúsculo desmaiando as lágrimas.
exaltação das águas de orvalho escorrendo pelas paredes,
pela pele de fora pulsando o bater de dentro
do sonho fluindo nas coisas do mundo.
movimento acelerado no interior do centro da cabeça
onde os poços encerram na profundidade do umbigo
os dedos com camélias florescendo,
a faca e o poema cortada em fatias muito finas.
poço de silêncio no ecoar do grito,
da zanga animalesca das constelações,
das antenas camufladas no tum-tum-tum do coração,
onde os carvalhos crescendo pelos falos erectos
penetram pelo cosmos os seus braços de homem árvore,
tocando as nuvens no alto mar do céu,
lançando redes aos peixes celestes
que brilham aqui e ali no cimo do poço,
este poço fundo em que sou também o mesmo.
poço da ilusão do tempo da vida,
vida que é na cabeça e nas mãos imaginadas.
mãos que galgam as palavras e os seios,
mãos na ronquidão da voz em espiral.
poço dos deuses,
dos lobos uivando no vinil,
poço de morte correndo na violência da faca,
da bala, da asfixia, da espinha dos peixes celestes,
da corda balouçando no alto do poço
o corpo que voa...que plana como veludo caindo,
pena de anjo, fogo infernal.
poço onde sou cabeça e poço,
vida e morte,
pedra e húmus de poema inacabado,
coração batendo no ouvido que ecoa...
batendo, batendo.
parando.
ou encerro o poço no centro da cabeça.
caio nas profundezas da cabeça poço
caindo na doçura das pêras maduras...
pesadamente,
docemente caindo.
desço pelas paredes de pedra e de ferro,
galgando, correndo, esfolando os lábios.
bato, silenciosamente no fundo,
sobre as águas, no penetrar das águas,
rebentando por dentro às golfadas de poema.
os olhos abertos, as mãos abertas, o coração fechado...
e a escuridão na consumação da existência,
poço fundo isento de céu e de terra.
e os oceanos explodindo no alto mundo,
e a luz nos crepúsculo desmaiando as lágrimas.
exaltação das águas de orvalho escorrendo pelas paredes,
pela pele de fora pulsando o bater de dentro
do sonho fluindo nas coisas do mundo.
movimento acelerado no interior do centro da cabeça
onde os poços encerram na profundidade do umbigo
os dedos com camélias florescendo,
a faca e o poema cortada em fatias muito finas.
poço de silêncio no ecoar do grito,
da zanga animalesca das constelações,
das antenas camufladas no tum-tum-tum do coração,
onde os carvalhos crescendo pelos falos erectos
penetram pelo cosmos os seus braços de homem árvore,
tocando as nuvens no alto mar do céu,
lançando redes aos peixes celestes
que brilham aqui e ali no cimo do poço,
este poço fundo em que sou também o mesmo.
poço da ilusão do tempo da vida,
vida que é na cabeça e nas mãos imaginadas.
mãos que galgam as palavras e os seios,
mãos na ronquidão da voz em espiral.
poço dos deuses,
dos lobos uivando no vinil,
poço de morte correndo na violência da faca,
da bala, da asfixia, da espinha dos peixes celestes,
da corda balouçando no alto do poço
o corpo que voa...que plana como veludo caindo,
pena de anjo, fogo infernal.
poço onde sou cabeça e poço,
vida e morte,
pedra e húmus de poema inacabado,
coração batendo no ouvido que ecoa...
batendo, batendo.
parando.
21 outubro, 2010
vi naquela árvore a resplandecente flor da morte:
suas pétalas como asas de violeta cobrindo a lua
e suas folhas no movimento em espiral de quem se entrega.
da subtileza da existência auscultam-se orquestras de cristal,
e o céu engalanado com ornatos de poema,
palavra imaculada sobre as mães que parem os filhos,
verso da poesia do ventre,
queimando a alegoria de nascer gritando,
entre o sangue e amor do sangue.
enterro as mãos nos poços da tristeza
como árvore que da raiz se sustenta:
sou a árvore da morte
com os meus dedos arrombando a terra,
a paz
como campo de batalha com as suas asas voando,
e as mães no alvoroço do beijo
com o sangue escorrendo dos peixes perfumados.
flor da morte que voa na boca da faca;
lâmina virgem cortando dia a dia a perfeição,
folha cortando o peixe voador na língua do poema
no equilíbrio do poço das flores da morte.
e os ventres no desejo dos homens árvore
com as suas flores de morte nos satélites do beijo.
e as flautas como o canto dos cisnes negros
flutuando na enfado dos poços regurgitando
as águas na ilustração do poeta:
ser com asas de palavras voando através do verbo coração.
vi naquela árvore o poeta da morte
fabricando o mel da palavra por nascer,
procurando o magnífico momento da carícia
na alta torre no cimos dos poços das flores poetas.
poema que nasce no ventre imaginado do poeta
com os dedos tremendo no amor.
poeta que é pelas flores das árvore o
ser magnífico da emoção.
suas pétalas como asas de violeta cobrindo a lua
e suas folhas no movimento em espiral de quem se entrega.
da subtileza da existência auscultam-se orquestras de cristal,
e o céu engalanado com ornatos de poema,
palavra imaculada sobre as mães que parem os filhos,
verso da poesia do ventre,
queimando a alegoria de nascer gritando,
entre o sangue e amor do sangue.
enterro as mãos nos poços da tristeza
como árvore que da raiz se sustenta:
sou a árvore da morte
com os meus dedos arrombando a terra,
a paz
como campo de batalha com as suas asas voando,
e as mães no alvoroço do beijo
com o sangue escorrendo dos peixes perfumados.
flor da morte que voa na boca da faca;
lâmina virgem cortando dia a dia a perfeição,
folha cortando o peixe voador na língua do poema
no equilíbrio do poço das flores da morte.
e os ventres no desejo dos homens árvore
com as suas flores de morte nos satélites do beijo.
e as flautas como o canto dos cisnes negros
flutuando na enfado dos poços regurgitando
as águas na ilustração do poeta:
ser com asas de palavras voando através do verbo coração.
vi naquela árvore o poeta da morte
fabricando o mel da palavra por nascer,
procurando o magnífico momento da carícia
na alta torre no cimos dos poços das flores poetas.
poema que nasce no ventre imaginado do poeta
com os dedos tremendo no amor.
poeta que é pelas flores das árvore o
ser magnífico da emoção.
20 outubro, 2010
perco o ar na queda da raiz daquela pérola,
pedra encantada pele canto, pelo escurecer das nuvens.
perco a exactidão sobre as romãs escancaradas,
janelas voadoras com portadas batendo,
funesta coisa do coração incendiado,
folha que cai e sobe na ascendência da tristeza,
árvore que chora nos meus pés os amores contidos.
perco a roupa no areal da praia sem mar,
os ouvidos abrem-se à imensidão das conchas que cantam,
e o tecido voando como pássaros, como seres brilhantes,
aquele lenço testemunha do abraço,
do arco-iris que despoletou das arestas do soalho,
sorrindo...sorrindo.
perco o fluir do sangue da palavra,
palavra que anda com suas mil pernas sobre a alma,
esquecimento perfeito do choro, dos braços estendidos,
onda transparente onde molho os cabelos do animal,
animal intratável do beijo,
malmequer de metal florindo nos meus olhos
regado pelo sangue que apodrece no cérebro alado.
imensidão de pedras no meu peito,
na luz que entra sem sair:
sou esta claridade que se extingue,
que finda no sofrimento da palavra que sai pelos dedos,
sou esse beijo luminescente das algas,
sou a terra que sustenta a folha e o canto,
sou o grão, a lama, o poema, a pedra,
aquela coisa que ampara a revolução da lágrima,
do riso.
perco-me na luz que entre pela frecha do coração,
explodindo aqui e ali nas partes redondas da alma,
onde a folha e a flor renascem incessantes
no balão amarelo sobre a agulha que salta,
agulha que corre pelos sorrisos dos lábios:
alma infinita, copo cheio de vinho,
sorvendo a carícia pelas águas da transpiração.
perco-me no caminho entre o umbigo e a vulva,
no entrelaçar da agulha que tece o poema,
êxtase no tocar dos dedos e da língua entre as cochas.
o oceano que se impõe,
a tempestade do movimento,
nave que exala o aroma das especiarias,
das frutas doces,
das torradas com manteiga,
dos incensos queimando sobre o pires...
o corpo gritando a alegria, a palavra secreta,
o desejo, a eternidade...
a flor amarela que ressuscita no ventre
cantando as águas.
perco-me no encontro do volátil ser que sou:
bicho que explode a cada dia pela palavra,
pelo desejo de possuir a palavra desconhecida,
sustentando de braços abertos o amor,
a plenitude do sorriso coração.
vivendo e morrendo,
passando e passando pelas vidas.
perco-me no encontro e encontro-me quando me perco,
coração de frente e verso...
sorrindo.
pedra encantada pele canto, pelo escurecer das nuvens.
perco a exactidão sobre as romãs escancaradas,
janelas voadoras com portadas batendo,
funesta coisa do coração incendiado,
folha que cai e sobe na ascendência da tristeza,
árvore que chora nos meus pés os amores contidos.
perco a roupa no areal da praia sem mar,
os ouvidos abrem-se à imensidão das conchas que cantam,
e o tecido voando como pássaros, como seres brilhantes,
aquele lenço testemunha do abraço,
do arco-iris que despoletou das arestas do soalho,
sorrindo...sorrindo.
perco o fluir do sangue da palavra,
palavra que anda com suas mil pernas sobre a alma,
esquecimento perfeito do choro, dos braços estendidos,
onda transparente onde molho os cabelos do animal,
animal intratável do beijo,
malmequer de metal florindo nos meus olhos
regado pelo sangue que apodrece no cérebro alado.
imensidão de pedras no meu peito,
na luz que entra sem sair:
sou esta claridade que se extingue,
que finda no sofrimento da palavra que sai pelos dedos,
sou esse beijo luminescente das algas,
sou a terra que sustenta a folha e o canto,
sou o grão, a lama, o poema, a pedra,
aquela coisa que ampara a revolução da lágrima,
do riso.
perco-me na luz que entre pela frecha do coração,
explodindo aqui e ali nas partes redondas da alma,
onde a folha e a flor renascem incessantes
no balão amarelo sobre a agulha que salta,
agulha que corre pelos sorrisos dos lábios:
alma infinita, copo cheio de vinho,
sorvendo a carícia pelas águas da transpiração.
perco-me no caminho entre o umbigo e a vulva,
no entrelaçar da agulha que tece o poema,
êxtase no tocar dos dedos e da língua entre as cochas.
o oceano que se impõe,
a tempestade do movimento,
nave que exala o aroma das especiarias,
das frutas doces,
das torradas com manteiga,
dos incensos queimando sobre o pires...
o corpo gritando a alegria, a palavra secreta,
o desejo, a eternidade...
a flor amarela que ressuscita no ventre
cantando as águas.
perco-me no encontro do volátil ser que sou:
bicho que explode a cada dia pela palavra,
pelo desejo de possuir a palavra desconhecida,
sustentando de braços abertos o amor,
a plenitude do sorriso coração.
vivendo e morrendo,
passando e passando pelas vidas.
perco-me no encontro e encontro-me quando me perco,
coração de frente e verso...
sorrindo.
12 outubro, 2010
nocturna palavra desespero,
palavra na reminiscência do copo no vazar da água,
água caminhando pelo ventre
na erecção das flores que de dentro do copo esperam.
ai! metamorfose do coração luz,
iluminando a noite num véu de comestível doce.
sombra que vem e que fica no cruzamento da luminosidade,
no mistério de ser o eterno enleio do amor.
mãos que crescem pela noite,
tocando alaúdes de saudade,
na intemperança,
na espera,
no tempo crescendo pela chama:
fogo insolvente da fénix que renasce
a todo o tempo.
e a ave maravilhosa rodopia, dança,
sem presença,
pelo ar existindo na respiração...
inspirando, expirando...
asas planando no meu colo,
nos dedos, de dentro da tangerina,
consumindo a extremidade da cerca mundo,
libertando pelo ar, prendendo pelo gomo.
tangerina que se inscreve na carta sobre a mesa
na casa que arde pelo peixe voador:
ave marítima que cresce no copo das flores
imbuídas nos aroma do teu ventre.
palavra na reminiscência do copo no vazar da água,
água caminhando pelo ventre
na erecção das flores que de dentro do copo esperam.
ai! metamorfose do coração luz,
iluminando a noite num véu de comestível doce.
sombra que vem e que fica no cruzamento da luminosidade,
no mistério de ser o eterno enleio do amor.
mãos que crescem pela noite,
tocando alaúdes de saudade,
na intemperança,
na espera,
no tempo crescendo pela chama:
fogo insolvente da fénix que renasce
a todo o tempo.
e a ave maravilhosa rodopia, dança,
sem presença,
pelo ar existindo na respiração...
inspirando, expirando...
asas planando no meu colo,
nos dedos, de dentro da tangerina,
consumindo a extremidade da cerca mundo,
libertando pelo ar, prendendo pelo gomo.
tangerina que se inscreve na carta sobre a mesa
na casa que arde pelo peixe voador:
ave marítima que cresce no copo das flores
imbuídas nos aroma do teu ventre.
08 outubro, 2010
bicicleta voadora pelos trilhos do beijo,
viagem imaculada pelo interior do abraço,
aconchego entre a pele e o aroma da terra molhada,
da alfazema, do jasmim, do musgo no correr das águas.
viagem pelas nuvens das lágrimas,
no entreabrir do sorriso no gargalhar dos dedos,
roda que sulca o desejo da semente,
variando na descoberta da maravilhosa inovação de crescer.
vento pela braços voando,
na agitação dos dedos e das unhas e dos ossos,
na condescendência louca do sopro dos silfos,
pelo o movimento circular das pernas
correndo, andando,
transpirando
o caminho do desabrochar dos ósculos.
ser que pedala na intermitente viagem pela casa
(interna coisa no interior do coração alma),
insensato sonhador do corpo terra,
com asas escarlate brotando no pensamento,
na palavra,
na rosa de fogo explodindo na ponta dos dedos.
temerosa é a viagem pela terra das raízes:
húmus que é pelo sangue o pulsar substantivo da vida,
do poema que jorra em golfadas do interior do solo.
crosta do coração alma,
bicicleta do acontecimento,
ser que é sendo pelo acontecer,
na revolução de viver a mestre respiração
de ser deus,
de ser homem,
de ser o imaginado mundo criado,
de ser a invenção da bicicleta do amor,
brotando de dentro o espiral de fora,
sendo nada,
apenas tudo.
viagem imaculada pelo interior do abraço,
aconchego entre a pele e o aroma da terra molhada,
da alfazema, do jasmim, do musgo no correr das águas.
viagem pelas nuvens das lágrimas,
no entreabrir do sorriso no gargalhar dos dedos,
roda que sulca o desejo da semente,
variando na descoberta da maravilhosa inovação de crescer.
vento pela braços voando,
na agitação dos dedos e das unhas e dos ossos,
na condescendência louca do sopro dos silfos,
pelo o movimento circular das pernas
correndo, andando,
transpirando
o caminho do desabrochar dos ósculos.
ser que pedala na intermitente viagem pela casa
(interna coisa no interior do coração alma),
insensato sonhador do corpo terra,
com asas escarlate brotando no pensamento,
na palavra,
na rosa de fogo explodindo na ponta dos dedos.
temerosa é a viagem pela terra das raízes:
húmus que é pelo sangue o pulsar substantivo da vida,
do poema que jorra em golfadas do interior do solo.
crosta do coração alma,
bicicleta do acontecimento,
ser que é sendo pelo acontecer,
na revolução de viver a mestre respiração
de ser deus,
de ser homem,
de ser o imaginado mundo criado,
de ser a invenção da bicicleta do amor,
brotando de dentro o espiral de fora,
sendo nada,
apenas tudo.
04 outubro, 2010
sento-me sobre a palavra que floresce pela noite;
polvos renascem dos grandes plátanos das nuvens,
seus tentáculos de poema no horizonte da lágrima:
água que cai no canto da boca,
chuva no desmoronamento fulcral do acontecimento.
palavra de penas onde descanso o corpo de concha:
corpo que enaltece o rebentamento do verbo,
escorrendo em gotas de cristal pelas rochas do enigma.
canto de escamas no percorrer dos passos sobre a casa,
concha que encerra o mundo pelo ponto,
no acontecer das estrelas brilhando.
palavra que é pelos dedos o expoente da loucura.
cabeça rebentando no interior da letra:
fumo negro dos meus olhos de neve
redopiando a fome das pétalas que caem do sorriso da floresta.
dedos alados no mecanismo do amor,
boca a boca, face a face, palavra a palavra,
no emergir do sorriso das almas
no submergir das lágrimas dos satélites do beijo.
sonho a palavra do amor e da guerra.
amor que é da terra a árvore que se ergue na nuvem,
nuvem que é pelo afecto o beijo do pássaro amarelo,
ave violenta na explosão do abraço,
no encontro dos braços de árvore,
no desejo dos sexos de mel escorrendo pelos dedos.
guerra no encontro dos lábios,
nas mãos no percorrer das pernas, das nádegas,
do úmbigo, dos lábios...
mãos conquistando a pele no percorrer do céu,
via láctea nas boca do desejo,
no toque, na eternidade...
palavra que é a profecia da morte do mundo.
real e sonho brotando nos altos mistérios do acontecer da cabeça,
flor que acontece pela ponta dos dedos sobre os seios,
oceanos de sorrisos na queda das nuvens,
pensamento na rebentação do verbo,
onda imensa do beijo coração.
morte que é pelo amor o acontecer da pedra,
pedra que é palavra, que é cravo,
sonho de relva , acontecimento,
poema.
sento-me sobre a palavra que floresce pela dia;
sendo apenas o coração da palavra
e a palavra coração.
polvos renascem dos grandes plátanos das nuvens,
seus tentáculos de poema no horizonte da lágrima:
água que cai no canto da boca,
chuva no desmoronamento fulcral do acontecimento.
palavra de penas onde descanso o corpo de concha:
corpo que enaltece o rebentamento do verbo,
escorrendo em gotas de cristal pelas rochas do enigma.
canto de escamas no percorrer dos passos sobre a casa,
concha que encerra o mundo pelo ponto,
no acontecer das estrelas brilhando.
palavra que é pelos dedos o expoente da loucura.
cabeça rebentando no interior da letra:
fumo negro dos meus olhos de neve
redopiando a fome das pétalas que caem do sorriso da floresta.
dedos alados no mecanismo do amor,
boca a boca, face a face, palavra a palavra,
no emergir do sorriso das almas
no submergir das lágrimas dos satélites do beijo.
sonho a palavra do amor e da guerra.
amor que é da terra a árvore que se ergue na nuvem,
nuvem que é pelo afecto o beijo do pássaro amarelo,
ave violenta na explosão do abraço,
no encontro dos braços de árvore,
no desejo dos sexos de mel escorrendo pelos dedos.
guerra no encontro dos lábios,
nas mãos no percorrer das pernas, das nádegas,
do úmbigo, dos lábios...
mãos conquistando a pele no percorrer do céu,
via láctea nas boca do desejo,
no toque, na eternidade...
palavra que é a profecia da morte do mundo.
real e sonho brotando nos altos mistérios do acontecer da cabeça,
flor que acontece pela ponta dos dedos sobre os seios,
oceanos de sorrisos na queda das nuvens,
pensamento na rebentação do verbo,
onda imensa do beijo coração.
morte que é pelo amor o acontecer da pedra,
pedra que é palavra, que é cravo,
sonho de relva , acontecimento,
poema.
sento-me sobre a palavra que floresce pela dia;
sendo apenas o coração da palavra
e a palavra coração.
24 setembro, 2010
barco sobre as águas flutuando no deslumbramento:
corpo no encontro das marés, do sol ardendo,
da chuva intermitente dos pesadelos,
pássaros gritando o perfeito canto.
barco sobre as águas morrendo na paz:
sem motor, sem vela agitada ao vento,
sem mastros, sem casco, sem viajantes...
barco ancora. barco afundado à superfície.
e o corpo balouçando sobre as conchas de papel,
barco de palavra construído,
com seus versos boiando junto ao beijo das folhas.
corpo que é na paz da morte a certeza do que é amor,
corpo peixe na imersão das águas lunares,
esplendoroso peixe poema no encanto da língua,
voz marítima no segredo dos lábios...
barco que navega sobre as árvores
rumando ao sabor das nuvens e das folhas voando,
com crianças correndo pela proa do beijo
e os homens amando a madeira das mulheres junto aos remos.
barco que sonha na tempestade do poema,
palavra engalanada ao leme,
norte que é acontecendo pelo verso
na récita da ode das águas salgadas do ventre da mulher.
mulher das águas,
dos oceanos dos peixes de prata
dos rios de riso ecoando pelas casas desertas.
e o barco sendo sobre a mulher,
no arrebate do coração âncora,
do coração hélice...
barco voando sobre a brisa,
barco correndo como verbo,
no acontecer do corpo que se afunda.
corpo no encontro das marés, do sol ardendo,
da chuva intermitente dos pesadelos,
pássaros gritando o perfeito canto.
barco sobre as águas morrendo na paz:
sem motor, sem vela agitada ao vento,
sem mastros, sem casco, sem viajantes...
barco ancora. barco afundado à superfície.
e o corpo balouçando sobre as conchas de papel,
barco de palavra construído,
com seus versos boiando junto ao beijo das folhas.
corpo que é na paz da morte a certeza do que é amor,
corpo peixe na imersão das águas lunares,
esplendoroso peixe poema no encanto da língua,
voz marítima no segredo dos lábios...
barco que navega sobre as árvores
rumando ao sabor das nuvens e das folhas voando,
com crianças correndo pela proa do beijo
e os homens amando a madeira das mulheres junto aos remos.
barco que sonha na tempestade do poema,
palavra engalanada ao leme,
norte que é acontecendo pelo verso
na récita da ode das águas salgadas do ventre da mulher.
mulher das águas,
dos oceanos dos peixes de prata
dos rios de riso ecoando pelas casas desertas.
e o barco sendo sobre a mulher,
no arrebate do coração âncora,
do coração hélice...
barco voando sobre a brisa,
barco correndo como verbo,
no acontecer do corpo que se afunda.
23 setembro, 2010
corpo deitado sobre a pedra de rosas
envolto na fina mortalha da carícia dos dedos.
braços misturados de branco das nuvens passando,
folha viajante dos céus todos, dos olhos do mundo,
deuses de silêncio sobre a brasa.
e o vento soprando no sobressalto da morte.
onda que canta letra a letra a poesia inaudível:
belo é o som do vazio das mariposas de azul.
céu que acolhe o corpo mortalhado na chama
sobre o rio que passa, no leito das costas do poeta.
ai! morte imensa que me chama,
poema magnífico no culminar dos dias,
silêncio que se agarra à parte interior da pele,
ficando e ficando no respirar da palavra:
ente que se entrega ao florescer da semente derradeira.
e o corpo consumido pela pira sobre o rio,
ardendo no poema findo, coisa da noite brilhando.
e as crianças cantando no soluço branco da paz,
e as mulheres pela a areia caminhando com a água pelos olhos.
e o corpo do poema ardendo
na extinção do verbo absoluto do coração.
pássaros de cores voando sobre o rio no acolher dos dedos,
o corpo findo, a alma de desejo, a palavra violenta,
as flautas ardendo no canto da água,
e a palavra corpo flutuando sobre a língua.
correnteza que chama.
pulsar da terra que clama o corpo ausente do tambor
tocando sobre o lume da noite...
morrendo assim. vivendo assim. silenciando assim.
paz infinita que se consome na cabeça
com azeite ardendo na concha das mãos,
iluminando o tenro caminho das estrelas que caem.
ai! corpo da palavra! revolução das mariposas azuis!
letra na ascenção do poema coração...
coração árvore da poesia
florescendo no alto da cabeça.
envolto na fina mortalha da carícia dos dedos.
braços misturados de branco das nuvens passando,
folha viajante dos céus todos, dos olhos do mundo,
deuses de silêncio sobre a brasa.
e o vento soprando no sobressalto da morte.
onda que canta letra a letra a poesia inaudível:
belo é o som do vazio das mariposas de azul.
céu que acolhe o corpo mortalhado na chama
sobre o rio que passa, no leito das costas do poeta.
ai! morte imensa que me chama,
poema magnífico no culminar dos dias,
silêncio que se agarra à parte interior da pele,
ficando e ficando no respirar da palavra:
ente que se entrega ao florescer da semente derradeira.
e o corpo consumido pela pira sobre o rio,
ardendo no poema findo, coisa da noite brilhando.
e as crianças cantando no soluço branco da paz,
e as mulheres pela a areia caminhando com a água pelos olhos.
e o corpo do poema ardendo
na extinção do verbo absoluto do coração.
pássaros de cores voando sobre o rio no acolher dos dedos,
o corpo findo, a alma de desejo, a palavra violenta,
as flautas ardendo no canto da água,
e a palavra corpo flutuando sobre a língua.
correnteza que chama.
pulsar da terra que clama o corpo ausente do tambor
tocando sobre o lume da noite...
morrendo assim. vivendo assim. silenciando assim.
paz infinita que se consome na cabeça
com azeite ardendo na concha das mãos,
iluminando o tenro caminho das estrelas que caem.
ai! corpo da palavra! revolução das mariposas azuis!
letra na ascenção do poema coração...
coração árvore da poesia
florescendo no alto da cabeça.
16 setembro, 2010
coração de poliéster ressoando,
explodindo no fumo da cabeça.
naftalina nas axilas e braços bem dobrados,
dobra após dobra,
no vinco entre o coração e a faca.
lento é o existir e rápida é a morte:
palavra esperando o momento da criação
no mundo silencioso de não ser.
e as cegonhas que pousam na minha cabeça
nidificando a esperança da alegria:
palavra ressoando no papel,
contentamento do verbo no lábio.
rio que é sonho no existir das flores de plástico,
na encruzilhada do vidro entre a língua e os dentes.
coração findando no quebrantar da luz,
poliester entre a linha e o limbo,
no cruzar eterno da vida que acontece.
explodindo no fumo da cabeça.
naftalina nas axilas e braços bem dobrados,
dobra após dobra,
no vinco entre o coração e a faca.
lento é o existir e rápida é a morte:
palavra esperando o momento da criação
no mundo silencioso de não ser.
e as cegonhas que pousam na minha cabeça
nidificando a esperança da alegria:
palavra ressoando no papel,
contentamento do verbo no lábio.
rio que é sonho no existir das flores de plástico,
na encruzilhada do vidro entre a língua e os dentes.
coração findando no quebrantar da luz,
poliester entre a linha e o limbo,
no cruzar eterno da vida que acontece.
10 setembro, 2010
por ora sou nuvem navegando no sangue,
céu de ausência dos olhos cerrados, em lágrimas,
flutuando sobre os astros,
luminosa existência de ser água voando,
no canto das estrelas,
no baloiço das flores silvestres no teu cabelo voando.
por ora sou a palavra que explode,
que grita do centro do mundo ao alto da boca,
acordando o coração e a própria morte.
palavra bicho que corre pela pele,
içando bandeiras escarlate nos teus olhos de sonho.
manhãs onde desejo a presença da tua boca,
entre laranjas aos gomos e rios de oceanos acordando.
astros baloiçando sobre as árvores das crianças.
cama que se afunda no remoinho da distância,
no silêncio que nos fica na entrega dos corpos,
fugindo pelo corpo a força da palavra explodindo.
corpo que esmorece ao toque do desamor,
alma perdida no canavial.
por ora sou dor que permanece.
flor que é pedra, borboleta de asas de ferro caindo,
canto mudo,
mãos que caem pelo outono que nos cerca.
por ora sou amor.
sendo nuvem sobre a palavra que explode pela manhã.
inusitado amor que é
acontecendo.
céu de ausência dos olhos cerrados, em lágrimas,
flutuando sobre os astros,
luminosa existência de ser água voando,
no canto das estrelas,
no baloiço das flores silvestres no teu cabelo voando.
por ora sou a palavra que explode,
que grita do centro do mundo ao alto da boca,
acordando o coração e a própria morte.
palavra bicho que corre pela pele,
içando bandeiras escarlate nos teus olhos de sonho.
manhãs onde desejo a presença da tua boca,
entre laranjas aos gomos e rios de oceanos acordando.
astros baloiçando sobre as árvores das crianças.
cama que se afunda no remoinho da distância,
no silêncio que nos fica na entrega dos corpos,
fugindo pelo corpo a força da palavra explodindo.
corpo que esmorece ao toque do desamor,
alma perdida no canavial.
por ora sou dor que permanece.
flor que é pedra, borboleta de asas de ferro caindo,
canto mudo,
mãos que caem pelo outono que nos cerca.
por ora sou amor.
sendo nuvem sobre a palavra que explode pela manhã.
inusitado amor que é
acontecendo.
09 setembro, 2010
calma.
inusitada pausa no respirar do mundo,
no sentar do corpo na procura do chão:
chão que espera e revolta o pensamento,
que floresce na alegria dos dedos,
no percorrer da pele...
calma.
no silêncio dos lábios sobre os braços,
no interior dos braços,
nos pés subindo ao calor do mais alto contentamento,
umbigo, barriga, pele.
pele que é pele e casa onde me habito dentro de ti
palavra verbo onde me encaixo e descanso.
fluir.
sangue que cai da flor no parapeito do coração,
cascata de vermelho na ascenção da carícia:
silêncio, olhar, beijo, abraço, toque,
palavra, lágrima, água.
fluir.
caminhos dentro do alma brotando,
beijo que cai na boca sobre o anjo,
fluindo o amor nos olhos do quente sol,
corpo que exalta a transpiração dos sorrisos,
na partilha de anis e canela no alto das pernas.
forte e calmo no acontecer,
revolução que explode no olhar de lobo,
mulher lua que canta e que é...
acontecer.
proibido momento entre o nascer do sol e a morte,
sem pressentimento...
acontecendo na calma da pele e da palavra,
fluindo no amor...
coisa que acontece nascendo de rompante.
acontecer.
o amor.
as mãos.
o tudo.
o nada.
também hoje.
inusitada pausa no respirar do mundo,
no sentar do corpo na procura do chão:
chão que espera e revolta o pensamento,
que floresce na alegria dos dedos,
no percorrer da pele...
calma.
no silêncio dos lábios sobre os braços,
no interior dos braços,
nos pés subindo ao calor do mais alto contentamento,
umbigo, barriga, pele.
pele que é pele e casa onde me habito dentro de ti
palavra verbo onde me encaixo e descanso.
fluir.
sangue que cai da flor no parapeito do coração,
cascata de vermelho na ascenção da carícia:
silêncio, olhar, beijo, abraço, toque,
palavra, lágrima, água.
fluir.
caminhos dentro do alma brotando,
beijo que cai na boca sobre o anjo,
fluindo o amor nos olhos do quente sol,
corpo que exalta a transpiração dos sorrisos,
na partilha de anis e canela no alto das pernas.
forte e calmo no acontecer,
revolução que explode no olhar de lobo,
mulher lua que canta e que é...
acontecer.
proibido momento entre o nascer do sol e a morte,
sem pressentimento...
acontecendo na calma da pele e da palavra,
fluindo no amor...
coisa que acontece nascendo de rompante.
acontecer.
o amor.
as mãos.
o tudo.
o nada.
também hoje.
05 setembro, 2010
e a mulher do coração cantava...
voz que eclodia do silêncio,
perpetuando-o no sorriso dos dedos sobre a vida.
voz do mundo, onda imensa rebentando,
girassol lunar, cotovia no almejo da paz.
ai voz resplandecente que grita, que chora,
que vive...
e a mulher da alma sorria...
boca luminosa pela palavra,
pelo beijo que entra de rompante,
escafandro que mergulha na alma do meu mundo.
lábio inferior que perfura a terra
poço de luz jorrando às golfadas o amor:
língua seta que perfura a morte após morte,
vivendo a vida após vida.
e a mulher do mundo tocava...
seu véu de azul vermelho voando no alto céu da vida.
dedos que percorrem o infinito,
poesia imensa no tocar das estrelas e dos sinais:
pele que arde,
pele que grita ao toque na fusão plena de se ser,
pétala que é flor e caule e raiz,
barriga de festas,
pernas que voam no percorrer dos dedos.
e a mulher do corpo dançava...
alma que toca de leve os passos sobre a madeira,
subindo redondamente as árvores.
movimento daquela erva em silêncio,
daquela nuvem que passa ali,
mão que pousa sobre a mão
e que pela mão dança a vida toda.
e a mulher da vida planta-me...
semeando o coração de flores de água e sangue,
na calma possível do rio que transborda,
fecundando-me.
eu que floresço dos sons da terra
e do silêncio dos céus,
no encontro de me seres mulher:
mulher total, sem promessas,
de presença,
de entrega...
...amor que também é.
voz que eclodia do silêncio,
perpetuando-o no sorriso dos dedos sobre a vida.
voz do mundo, onda imensa rebentando,
girassol lunar, cotovia no almejo da paz.
ai voz resplandecente que grita, que chora,
que vive...
e a mulher da alma sorria...
boca luminosa pela palavra,
pelo beijo que entra de rompante,
escafandro que mergulha na alma do meu mundo.
lábio inferior que perfura a terra
poço de luz jorrando às golfadas o amor:
língua seta que perfura a morte após morte,
vivendo a vida após vida.
e a mulher do mundo tocava...
seu véu de azul vermelho voando no alto céu da vida.
dedos que percorrem o infinito,
poesia imensa no tocar das estrelas e dos sinais:
pele que arde,
pele que grita ao toque na fusão plena de se ser,
pétala que é flor e caule e raiz,
barriga de festas,
pernas que voam no percorrer dos dedos.
e a mulher do corpo dançava...
alma que toca de leve os passos sobre a madeira,
subindo redondamente as árvores.
movimento daquela erva em silêncio,
daquela nuvem que passa ali,
mão que pousa sobre a mão
e que pela mão dança a vida toda.
e a mulher da vida planta-me...
semeando o coração de flores de água e sangue,
na calma possível do rio que transborda,
fecundando-me.
eu que floresço dos sons da terra
e do silêncio dos céus,
no encontro de me seres mulher:
mulher total, sem promessas,
de presença,
de entrega...
...amor que também é.
03 setembro, 2010
entro no teu ventre preenchendo-o,
vivendo-o...
sou o ar que te percorre a imensidão:
os teus campos de poesia florescendo em alfazema na tua cabeça,
montanhas de ar quente no cruzamento dos astros
e a terra toda como berço,
como o leito onde nos deitamos.
entro no teu ventre com a palavra.
e com cada letra toco nos teus segredos, tesouros,
pedra perdida no alto da cama,
em silêncio, palpitando dentro do teu vaso.
verbo que é raio no teu corpo de céu,
descoberta sem fim onde me entrego,
livro inacabado com que me escrevo.
entro no teu ventre como na tua cabeça.
porque a cabeça é também ventre e coração e alma;
na cabeça eu sou e não sou:
cabeça geradora do mundo todo onde me encontro na tua pele.
e beijo-te os olhos, o nariz, as orelhas e a boca,
e no encontro do beijo com as tuas partes
vivo o teu ventre de fora respirando-o por dentro.
entro no teu ventre no subir da árvore,
no tocar da folha caindo,
no abraço da casca onde me relvo na palavra e sonho,
onde me torno e transformo em gigante polvo do amor,
flutuando no horizonte do abraço onde me és.
entro no teu ventre criando-me no que me és,
e no que me és sou na essência da cabeça.
percorres o teu caminho onde me encontro sendo.
planto flores amarelas e laranjas no âmago do teu sorriso,
e pelo o colo te tomo o corpo,
rodando de norte a norte,
amando o que te és em mim em todas as direcções da minha alma.
entro no teu ventre porque o amor assim é:
inesperada coisa que acontece,
agua, ar , terra, fogo,
espírito de rompante, ascendendo a respiração,
sendo
apenas vida.
vivendo-o...
sou o ar que te percorre a imensidão:
os teus campos de poesia florescendo em alfazema na tua cabeça,
montanhas de ar quente no cruzamento dos astros
e a terra toda como berço,
como o leito onde nos deitamos.
entro no teu ventre com a palavra.
e com cada letra toco nos teus segredos, tesouros,
pedra perdida no alto da cama,
em silêncio, palpitando dentro do teu vaso.
verbo que é raio no teu corpo de céu,
descoberta sem fim onde me entrego,
livro inacabado com que me escrevo.
entro no teu ventre como na tua cabeça.
porque a cabeça é também ventre e coração e alma;
na cabeça eu sou e não sou:
cabeça geradora do mundo todo onde me encontro na tua pele.
e beijo-te os olhos, o nariz, as orelhas e a boca,
e no encontro do beijo com as tuas partes
vivo o teu ventre de fora respirando-o por dentro.
entro no teu ventre no subir da árvore,
no tocar da folha caindo,
no abraço da casca onde me relvo na palavra e sonho,
onde me torno e transformo em gigante polvo do amor,
flutuando no horizonte do abraço onde me és.
entro no teu ventre criando-me no que me és,
e no que me és sou na essência da cabeça.
percorres o teu caminho onde me encontro sendo.
planto flores amarelas e laranjas no âmago do teu sorriso,
e pelo o colo te tomo o corpo,
rodando de norte a norte,
amando o que te és em mim em todas as direcções da minha alma.
entro no teu ventre porque o amor assim é:
inesperada coisa que acontece,
agua, ar , terra, fogo,
espírito de rompante, ascendendo a respiração,
sendo
apenas vida.
02 setembro, 2010
como não te ter se já te tenho.
lábios de flor crescendo dos céus,
impregnando aromas no alto da boca do mundo.
lábios mariposa batendo, oscilando,
chagando-se à mais alta calma do meu braço.
lábios húmidos...doces...estrelas de anis.
como não te ter se já te tenho.
movimento...oscilação...paragem.
respirar da terra.
no alto as ramos protegem o abraço,
curvando-se ao vento numa celebração de silêncio:
nos olhos que fecham,
dedos caminhantes do calor da voz,
do gemer do sangue.
ai feroz fera do amor galopando florestas,
culminado na paz da guerra
água correndo no rio certo do amor.
como não te ter se já te tenho.
palavra, verso, virgula, verbo, exclamação.
mão, beijo, grandes lábios, voz, sussurro.
silêncio, grito, vida.
e os pássaros cantando e o mundo girando como sempre foi...
sem medo,
sentindo e pressentindo a vida,
as vidas todas...
em que me és rio, luz, pedra, sorriso.
como não te ter se já te tenho.
lábios de flor crescendo dos céus,
impregnando aromas no alto da boca do mundo.
lábios mariposa batendo, oscilando,
chagando-se à mais alta calma do meu braço.
lábios húmidos...doces...estrelas de anis.
como não te ter se já te tenho.
movimento...oscilação...paragem.
respirar da terra.
no alto as ramos protegem o abraço,
curvando-se ao vento numa celebração de silêncio:
nos olhos que fecham,
dedos caminhantes do calor da voz,
do gemer do sangue.
ai feroz fera do amor galopando florestas,
culminado na paz da guerra
água correndo no rio certo do amor.
como não te ter se já te tenho.
palavra, verso, virgula, verbo, exclamação.
mão, beijo, grandes lábios, voz, sussurro.
silêncio, grito, vida.
e os pássaros cantando e o mundo girando como sempre foi...
sem medo,
sentindo e pressentindo a vida,
as vidas todas...
em que me és rio, luz, pedra, sorriso.
como não te ter se já te tenho.
31 agosto, 2010
contemplando o céu
milhares de conchas caíam flutuando do céu da noite:
conchas do mar iluminadas de azul, violeta e amarelo...
e os olhos sorrindo o infinito pintado de conchas.
e nós enlaçados no nosso corpo árvore,
esticámos os ramos e as folhas, dançando ao vento,
no embalo das conchas iluminadas pelo amor.
conchas cadentes queimando o prazer,
incensando-o pelo interior do abraço,
enseada onde descanso o tumultos dos dias.
e as conchas beijam o chão junto aos nossos pés,
e no beijo conchas explodem num corpo de flor,
florindo os campos ao redor das árvores,
beijando-as com as pétalas ao de leve,
como outrora os meus dedos na tua pele.
flores marítimas respirando o ar...
flores conchas no arrepiar do areal.
anoitecer dos nossos corpos enlaçados.
beijo-te no enaltecer das conchas tocando o céu,
a alma e os teus olhos cerrados no amor.
concha amarela que cai flor sobre o teu peito gritando.
amor concha que explode em onda imensa...
...espuma dos olhos teus banhando a minha praia,
meu corpo rocha...
teu corpo concha flutuando nos meus braços mundo.
simples é o amor que se vive.
milhares de conchas caíam flutuando do céu da noite:
conchas do mar iluminadas de azul, violeta e amarelo...
e os olhos sorrindo o infinito pintado de conchas.
e nós enlaçados no nosso corpo árvore,
esticámos os ramos e as folhas, dançando ao vento,
no embalo das conchas iluminadas pelo amor.
conchas cadentes queimando o prazer,
incensando-o pelo interior do abraço,
enseada onde descanso o tumultos dos dias.
e as conchas beijam o chão junto aos nossos pés,
e no beijo conchas explodem num corpo de flor,
florindo os campos ao redor das árvores,
beijando-as com as pétalas ao de leve,
como outrora os meus dedos na tua pele.
flores marítimas respirando o ar...
flores conchas no arrepiar do areal.
anoitecer dos nossos corpos enlaçados.
beijo-te no enaltecer das conchas tocando o céu,
a alma e os teus olhos cerrados no amor.
concha amarela que cai flor sobre o teu peito gritando.
amor concha que explode em onda imensa...
...espuma dos olhos teus banhando a minha praia,
meu corpo rocha...
teu corpo concha flutuando nos meus braços mundo.
simples é o amor que se vive.
29 agosto, 2010
tempo desfilando sobre as cabeças dos dragões.
eu sou o guarda do tempo que vai da cabeça àquela estrela brilhando.
cheira a anis e a jasmim as tuas axilas de luz,
e a respiração do fogo dos olhos,
olhos na ausência e na presença dos lábios.
espero pela estrela:
na espera salvo o gato que comeu a tangerina de uma só vez.
gato engasgado pela sofreguidão do desejo.
beijo esperando, queimando, torturando,
crescendo do coração à boca.
beijo que nasce e morre no tempo que é.
eu sou o guarda do tempo que vai da cabeça àquela estrela brilhando.
cheira a anis e a jasmim as tuas axilas de luz,
e a respiração do fogo dos olhos,
olhos na ausência e na presença dos lábios.
espero pela estrela:
na espera salvo o gato que comeu a tangerina de uma só vez.
gato engasgado pela sofreguidão do desejo.
beijo esperando, queimando, torturando,
crescendo do coração à boca.
beijo que nasce e morre no tempo que é.
28 agosto, 2010
silêncio.
pássaro do infinito na tua boca voadora,
no pressentir da voz do mundo,
subindo pelo bico do pássaro azul estampado no teu vestido de ausência.
silêncio.
água correndo sobre os seixos,
devorando a terra, a pele e o poema.
e tu nas minhas águas silenciosas crescendo,
crescendo gente que nasce pessoa,
ser vigilante com dois ombros, duas pernas, uma boca.
boca silenciosa do interior do beijo coração,
batendo e explodindo em cores omissas no reflexo das águas.
silêncio,
sobre a relva das palavras,
tocando o intocável silêncio do teu corpo,
beijo terramoto, cataclismo,
ventania.
peixe que canta a morte,
pintando com sua voz inaudível o segredo da vida.
amor, criança, sorriso,
copo transbordando, dança azul ou amarela,
andorinha louca voando na cabeça girassol.
silêncio.
mudança muda, na precisão do nada ou tudo,
sendo amor ou ódio ou nascimento.
silêncio.
ouve:
silêncio. fim. começo.
começo do começo. por fim...
nós.
silêncio
pássaro do infinito na tua boca voadora,
no pressentir da voz do mundo,
subindo pelo bico do pássaro azul estampado no teu vestido de ausência.
silêncio.
água correndo sobre os seixos,
devorando a terra, a pele e o poema.
e tu nas minhas águas silenciosas crescendo,
crescendo gente que nasce pessoa,
ser vigilante com dois ombros, duas pernas, uma boca.
boca silenciosa do interior do beijo coração,
batendo e explodindo em cores omissas no reflexo das águas.
silêncio,
sobre a relva das palavras,
tocando o intocável silêncio do teu corpo,
beijo terramoto, cataclismo,
ventania.
peixe que canta a morte,
pintando com sua voz inaudível o segredo da vida.
amor, criança, sorriso,
copo transbordando, dança azul ou amarela,
andorinha louca voando na cabeça girassol.
silêncio.
mudança muda, na precisão do nada ou tudo,
sendo amor ou ódio ou nascimento.
silêncio.
ouve:
silêncio. fim. começo.
começo do começo. por fim...
nós.
silêncio
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